A Tradução do Ser
O tédio me habita como um sentimento mórbido,
Um desejo de morrer, de me ferir,
Uma tentativa vã de compreender o mal que eu me fiz.
Há quantos dias eu me violo?
Tentando reproduzir a invasão daquela sombra,
Observando um comportamento de repetição.
Busco, sem querer, encontrar situações de abandono,
Cenas de confusão, de desamparo e desordem cognitiva.
Um contraste familiar onde fui escolhido para ser esquecido,
Abandonado na cama, invisibilizado na escola,
Um ser sem tradução no dia da própria formatura.
Aprendi línguas para tentar me compreender,
Para conseguir ler e ouvir diferente de como me ouviam.
Busquei diferentes pessoas, ideias e invenções,
Mergulhei em culturas e divergências,
Tentando distribuir versões de mim que já não servem mais.
Inversões de mim mesmo, versões obsoletas,
De um passado onde me situei e fiquei preso.
Eu me fundi ao que passou como se fosse o presente,
E, nesse processo, eu me abandonei como futuro

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